Livros de Agosto/21

Finalmente estou retomando meu ritmo de leitura, depois de alguns anos em que eu levava MESES para terminar um único livro… Consegui ler 3 livros em Agosto! (Na verdade um deles eu comecei em Julho, mas li maior parte em Agosto, então vamos contar como Agosto, né?!)

Eu sempre gostei muito de ler e sou aquela nerd que anda sempre com um livro na mochila (alguns, tadinhos, se acabaram por causa disso), mas desde 2017, quando saí da casa da minha mãe, o meu ritmo de leitura foi ficando cada vez mais lento, arrastado. Parece que eu já não conseguia mais me dedicar tanto a eles.

Com as recentes mudanças que fiz na minha vida (incluindo a MUDANÇA DE CASA – porque sou dramática), eu consegui retomar minhas leituras e, agora, com um cantinho todo especial pra isso. Coloquei uma rede dentro do meu escritório (o #PudimOffice), para relaxar e ler durantes os intervalos do trabalho… Mas acabou que virou um vício e agora, sempre que posso, tô nela.

Ninguém vai me julgar por isso, né?!

Com a ideia fixa que retomaria meu ritmo de leitura, passei a deixar o celular no modo avião (pra ter certeza que nada me atrapalharia), busquei minha playlist favorita e parti para os livros! Nada mais justo do que continuar um que eu já estava lendo, não é? Então fui de “O que terá acontecido a Baby Jane?” (que gerou um post inteiro aqui).

O que terá acontecido a Baby Jane?

O que terá acontecido a Baby Jane?, de Henry Farrell, foi publicado pela 1ª vez em 1960.

Meu exemplar de “O que terá acontecido a Baby Jane?”

“Baby” Jane Hudson foi uma criança prodígio que cantava e dançava em teatros arrebatando o coração de seus fãs. Mas o estrelato a transformou em uma criança mimada: logo no começo ela faz tolices e deixa seu pai constrangido na frente dos fãs enquanto exige um sorvete:

“EU GANHO O DINHEIRO, ENTÃO POSSO TER O QUE QUISER. VOCÊ NÃO PODE ME IMPEDIR.”

– Baby Jane –

Com o passar da idade, “Baby” Jane cresceu e não caiu no ostracismo total apenas por causa de sua irmã, Blanche Hudson, que acabou se tornando uma grande estrela do cinema na vida adulta. Os contratos de Blanche sempre continham uma cláusula de que Jane também teria um papel, mas era sabido por todos que Jane não tinha talento para atuar. Além de não ter talento, Jane andava se embriagando demais e comprometendo o trabalho e a própria imagem.

A carreira de Blanche chegou ao fim após um acidente de carro, que a deixou presa a uma cadeira de rodas, e as irmãs passaram a viver praticamente isoladas em uma grande mansão alimentando ódio e inveja recíprocos por anos.

Menina Má

Menina Má, de William March, foi publicado pela 1ª vez em 1954.

Meu exemplar de “Menina Má”.

Pode uma sementinha de maldade crescer longe da árvore? “Menina Má” conta a história de Rhoda Penmark, uma garota de 8 anos que pode ser considerada uma psicopata mirim, só se importando consigo mesma e fingindo sentir emoções que não consegue nem entender para enganar os outros. A menina é pura maldade.

“Lá está ela lendo o seu livrinho, toda graciosa e inocente. Que nem uma santa do pau oco. Ela engana todo mundo com essa cara de anjo que consegue botar e tirar quando bem entende, mas eu não! Eu não! Nem um pouco!”

– Leroy –

O livro é bem rápido de ler (e a diagramação ajuda muito), mas é impossível sentir qualquer pingo de empatia por Rhoda ou mesmo entender os motivos pelos quais ela faz as coisas que faz… Até que, num plot twist, muita coisa é esclarecida (e o livro toma um rumo beeem diferente).

Uma coisa que não me passou despercebida é que, enquanto Christine Penmark (a mãe de Rhoda) é uma “esposa à moda antiga” (que cuida da casa, da filha e, aparentemente, não precisa trabalhar para ter seus próprios ganhos – o marido é da Marinha e está longe da família), a sua amiga, Monica Breedlove, é uma mulher forte, cheia de opiniões e até mesmo rebarbada:

“Quem os homens pensam que são, afinal de contas? Andando por aí como se fossem os criadores do universo! Vou mostrar a eles como é que a banda toca.”

– Monica Breedlove –

Sabor Amargo

Sabor Amargo, de James Hannaham, foi publicado pela 1ª vez em 2015.

Meu exemplar de “Sabor Amargo”.

ELETRIZANTE! Não tem outra palavra pra descrever o livro. Sabor Amargo conta a história de Darlene e Eddie, mãe e filho que acabam indo “trabalhar” na Delicious Food, uma fazenda produtora de alimentos que mantém seus empregados num regime que podemos chamar de “escravidão moderna”. Além dos salários baixíssimos (e da crescente dívida que eles desenvolvem apenas por permanecerem ali), é comum o uso de drogas, principalmente crack (chamado de Scotty no livro).

O livro começa pelo final, com Eddie dirigindo um carro sem as mãos e, logo no 1º capítulo, já acompanhamos toda a sua vida após sair da Delicious Food… É só a partir do 2º capítulo que ficamos sabendo de toda a história ANTES da fazenda.

No livro temos uso de drogas, prostituição, abuso e muita violência, mas o autor faz uso dum recurso incrível: alguns capítulos são narrados por Scotty. Isso mesmo, o CRACK narra parte da história:

“Cacete como a gente tava louco – tu sabe que tá doido quando tu tá curtindo com Scotty e Scotty tá tão doido quanto tu.”

– Scotty –

A personificação de Scotty é uma sacada, no mínimo, GENIAL. É como se ele estivesse narrando tudo de dentro da cabeça de Darlene mas com uma visão ainda mais ampla. É como se ele pudesse se conectar com outros usuários e saber o que estava acontecendo mesmo de longe (ele conta isso em determinado trecho). Impossível ler devagar.

Claro que não vou dar spoiler do final, mas ele é lindo, quase poético. Consegue amarrar todas as pontas soltas.

“Só então ela pôde aceitar o romantismo daquilo tudo; de todos os seres humanos, sozinhos em uma pedra molhada, num ponto de um universo cujo tamanho eles não compreendiam, olhando para o céu e traçando figuras primitivas no ar, coisas baseadas em luzes que podiam até nem existir mais.”

(Não, esse não é o final.)

Esse é um livro pra ser lido rápido, para ser apreciado, para ser gritado por aí, para ser discutido e jogado ao vento. Esse é um livro para ser sentido e para provocar reflexões. Apesar de ser uma história fictícia, podemos dizer que ela é baseada em fatos reais. Hoje mesmo, enquanto escrevo esse post, trabalhadores são resgatados em regime análogo à escravidão do Piauí. A Delicious Food pode ser ali na esquina e a gente nem sabe.

Lidos de Agosto/21!

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