Slow Living

Já faz um tempo que tenho lido conteúdos sobre slow living, um movimento que defende uma vida mais lenta, com mais tempo para saborear e apreciar tudo, e já faz um tempo que venho aderindo a ele, ironicamente ou não, de forma lenta.

Até o semestre passado eu consumia muitos conteúdos sobre “vida acelerada” e me dei conta que esse assunto ganhava cada vez mais destaque na mídia, mas a verdade é que a vida vem acelerando desde a Revolução Industrial, quando as máquinas passaram a fazer alguns trabalhos mais rápidos que nós. Com o uso das máquinas, a velocidade do trabalho aumentou, demos um grande salto nas produções industriais e isso foi acelerando a nossa vida, afinal, os produtos são lançados mais rapidamente, o transporte está cada vez mais rápido e o tempo cada vez mais curto.

Tempos Modernos, grande clássico das aulas de História.

Confesso que ficar consumindo conteúdos sobre essa tal “vida acelerada” só me deixava mais ansiosa (e olha que eu já sou MUITO ansiosa), foi só quando eu descobri o movimento Slow Living que as coisas começaram a fazer sentido (meio sem querer eu já era adepta do Slow Content, mas falo melhor do assunto em breve. Viver uma vida mais lenta é possível, mas é preciso entender melhor o que isso significa.

O Slow Living não significa apenas desacelerar, ele também inclui a busca de equilíbrio em nossas vidas, tornando-as mais agradáveis e, consequentemente, saudáveis. Ao invés de fazermos 23547 coisas ao mesmo tempo, podemos fazer só uma coisa e focar nossa atenção nela. Um exemplo clássico disso é a hora de comer, que muitas vezes tem um total de ZERO atenção. Por conta dessa “vida acelerada”, muitas vezes acabamos almoçando na frente do computador, sem nem olhar direito para o que estamos comendo (e muitas vezes comendo MAL). Se prestássemos mais atenção ao ato de comer, poderíamos saborear melhor nossos alimentos (e, quem sabe, desenvolver uma vontade de começar a produzir o próprio alimento?).

Com a pandemia passamos a ficar mais tempo em casa, prestar atenção nas coisas que fazemos e temer qualquer coisa que viesse da rua sem higiene (nem passa pela minha cabeça comprar bananas e não lavá-las antes de guardar). Mas isso também nos fez olhar para nossa casa de forma diferente, com um olhar mais aguçado para o que está certo e o que está errado. Sem a possibilidade de viver a vida “normal”, a tendência foi desacelerar.

No meu caso, o que realmente me impulsionou nessa transição de fast para slow foi sair da área de conteúdos para redes sociais: primeiro trabalhando numa floricultura e depois mudando para o meu emprego atual, focado em conteúdo mais atemporal, por assim dizer.

Uma vida mais lenta

Trabalhei durante 10 anos com criação de conteúdo para redes sociais, o que me gerou traumas, muita dor de cabeça e me fez desenvolver uma pressa absurda para criar e gerenciar o conteúdo. O trabalho andava afetando meu dia-a-dia e a minha própria criação de conteúdo: Por diversas vezes eu lancei episódios do meu podcast, o PudimCast, sem gostar do resultado, mas o cronograma apertado precisava ser cumprido. Quando me dei conta de que eu tava numa corrida insana contra o tempo onde eu era a única perdedora, fui deixando o medo de atrasar os episódios e passei a produzir o conteúdo quando dava ou quando me sentia bem o suficiente para gravar (e com folga para editar sem precisar sacrificar meus fins de semana).

Uma mexidinha aqui, outra mexidinha ali e fui arrumando meus horários para que ficassem mais confortáveis; passei a ter novos hábitos que me forçavam a desacelerar, como cuidar das minhas plantas (em algum momento isso saiu do controle e cheguei a ter 70 vasos dentro do apartamento), praticar o silêncio e meditar.

Silêncio | Si.len.cio | Silencio-me. (Foto de 2020)

Essa vida foi evoluindo até o ponto que comecei a ver que eu finalmente estava desacelerando e que não precisava correr com tudo. É claro que ainda tenho compromissos a cumprir e tarefas cotidianas para realizar, mas elas não precisam atropelar a minha vida (na maioria das vezes). Pequenos hábitos vão fazer a diferença na vida, pode acreditar.

Um dos hábitos que pode ser adotado por quem está planejando adotar uma vida mais lenta é justamente o de PLANEJAR a vida. Mas vamos devagar: que tal planejar primeiro o seu dia ou a semana? Depois já dá pra ir planejando o mês e até mesmo o ano. O planejamento vai ajudar a organizar nossos horários e evitar a correria das tarefas esquecidas. Vale lembrar que planejamentos (principalmente os pessoais) não precisam ser tão rígidos. Tá tudo bem se planejaste limpar o jardim ontem mas choveu e não deu. Levar a vida mais devagar também te ensina a não se cobrar tanto.

Uma das delícias de viver mais devagar: apreciar o cafezinho. (Foto de 2021)

A Maniçoba

Eu sou de uma região onde um dos principais pratos típicos leva UMA SEMANA PARA FICAR PRONTO, como que eu vou viver com pressa? Isso não faz nem sentido! Mas é sério, a maniçoba precisa cozinhar por 7 dias para deixar de ser venenosa e isso, por si só, já deveria ser uma grande lição de vida (pelo menos para nós, paraenses).

A maniçoba é deliciosa mas pode te matar se não cozinhar pelo tempo certo.

Viver a vida mais devagar é possível e saudável, mas é preciso saber a diferença entre a vida mais lenta e a procrastinação. Na procrastinação apenas “enrolamos” para fazer o que devemos e isso não é legal (também costuma gerar correria na hora de colocar as tarefas em dia).

O equilíbrio é a chave de tudo.

2 comentários em “Slow Living

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