Eu & os chás

“Chá é uma coisa que sempre esteve presente na minha vida mas em situações bem diferentes”, o pensamento me ocorreu enquanto eu preparava mais uma xícara de chá. Comecei a rever toda a minha “história” com o chá e achei que valia um post. Pega tua xícara e vem comigo. 🍵

Eu moro na Amazônia e aqui temos uma cultura bem rica em relação a plantas, chás, ervas e garrafadas, então é bem provável que exista uma cura em forma de chá para cada doença que você imaginar. É claro que só o chá não faz milagres, mas muitos deles tem mesmo propriedades interessantes. E comecei a aprender isso na infância, da forma mais traumática possível.

Chá de limão, alho e mel

Sempre tive muito problema de garganta (a famosa “virose”, que muitas vezes é “só um resfriado” – nesse caso, inofensivo), em parte por ter o pacote completo de rinite/sinusite/desvio no septo, em parte porque a minha saúde sempre foi meio frágil. Cada vez que eu dava um espirro na casa da minha avó, lá vinha ela com o famoso chá de limão, alho e mel. Uma combinação bastaaaante extravagante.

Já fiquei com vontade de chorar só de olhar essa foto.

Apesar do gosto TERRÍVEL, esse chá realmente faz muito bem pra saúde: ele melhora a circulação sanguínea e também tem propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias. Na época que eu tomava, não fazia muita ideia dessas coisas, minha avó só dizia: “tapa o nariz e bebe”, com certeza um dos melhores conselhos que alguém já me deu até hoje.

Eu nunca peguei as “medidas exatas” da receita com a minha avó (preciso perguntar pra ela), mas existem trocentas receitas na internet e são unânimes em apontar os benefícios dele. Vale lembrar que o limão é uma ótima fonte de vitamina C.

Às vezes a minha avó também colocava gengibre o que, adivinha só, não melhorava em nada o gosto do chá (mas melhorava a minha saúde e era isso que importava).

Chá de casca de laranja

Ora, ora, esse foi o chá da minha adolescência. Lembro como se fosse hoje da minha avó colocando várias tirar de laranja numa fôrma de alumínio e deixando para secar no sol. Quando começava a chover, lá ia eu correndo tirar as cascas.

No começo da adolescência, quando o corpo ainda está se acostumado à explosão de hormônios, eu tinha MUITA cólica e minha menstruação era bem desregulada. Para ajudar com as dores, a receita era simples: chá de casca de laranja (gentilmente desidratada pelo sol ao longo de alguns dias) e bolsa de água quente na barriga.

Quantos litros desse chá será que eu tomei?

Como não dava para ficar andando com as cascas pra cima e pra baixo (e nem dava pra preparar o chá na rua), com o tempo fui trocando o chá pelos remédios de farmácia. A praticidade deles tem o ônus da intoxicação, mas foi o que deu pra fazer até a bendita menstruação regular e as cólicas ficarem aceitáveis (hoje em dia não tomo mais nada, uhul!).

Como deu pra notar, até o final da minha adolescência, chá era remédio, mas isso mudou quando cheguei à fase adulta e fui trabalhar fora de casa: chá virou algo social.

Chá verde

Com meus 20 e poucos anos, larguei a faculdade de Psicologia e troquei para Publicidade, mas não sem antes passar um tempo trabalhando fora de casa. Trabalhei como secretária das comemorações de um evento japonês bem grande na região e isso envolveu vários almoços japoneses. Entre hashis e misôs, lá estava ele, o chá verde.

Na verdade o chá não estava presente só na hora do almoço, ele estava o dia inteiro disponível na garrafa térmica mais próxima da minha sala. Como toda hora tinha alguém tomando chá, senti uma certa pressão social em tomar também.

E foi assim que eu comecei.

Tradicional no Japão, o chá verde faz bastante sucesso aqui.

Meu contrato era temporário, cerca de 3 meses, mas foi o suficiente pra eu tomar alguns litros do chá (ainda mais porque a minha sala era GELADA e o chá me esquentava um pouco). Na época, não participei de nenhuma cerimônia do chá, mas fiquei bem curiosa.

Aliás, tem um episódio da Japan House falando sobre chás bem aqui.

O chá verde não era exatamente uma paixão minha, mas foi a 1ª vez que tomei chá de forma (quase) espontânea. Decidi que era hora de alçar novos voos e procurar outros chás para tomar, talvez alguns que fossem mais agradáveis ao paladar. Claro que a minha 1ª tentativa foi com chá de saquinho.

Os chás “de saquinho”

A forma mais fácil de começar no “mundo dos chás” é com o chá de saquinho: ele é prático, fácil de fazer e vem em infinitos sabores. As embalagens costumam vir com muitas informações, o que torna o processo de escolher e preparar o chá ainda mais gostoso.

Fui nos clássicos: maçã com canela (que eu amo!), camomila, limão, hortelã, etc. Mas foi aí que me dei conta de duas coisas:

1. Nem todo chá é 100% natural:

– Muitos chás tem aromatizantes ou outros componentes além das folhas, flores e talos, tornando-os algo mais químico do que natural;

2. O saquinho de chá pode fazer mal para o meio ambiente e para o nosso estômago:

– Algumas empresas usam selantes ou outros produtos químicos nos saquinhos que, além de sujar o nosso planeta, liberam nano partículas plásticas e outros componentes no nosso corpo (por conta do aquecimento dos produtos).

Desiludida com os possíveis problemas causados pelos chás de saquinho, passei a comprar algumas ervas desidratadas em lojas especializadas (e às vezes no supermercado também, dependendo da situação).

Chá a granel

Como falei lá no começo, os chás são bem comuns na minha região, e também são bem comuns as “erveiras”, mulheres com conhecimentos em ervas naturais. As lojas que vendem essas ervas são bem populares por aqui e, não por coincidência, moro perto de duas.

Foto ilustrativa, mas é desse jeitinho mesmo.

Uma das maiores vantagens dessas lojas é que costumam ter uma variedade ENORME de produtos, sendo a maioria deles de produtores da região, e dá pra aprender MUITO nas lojas populares só conversando com os lojistas.

Ah, também dá pra comprar outros itens alimentícios, não apenas as ervas para os chás.

Mas eu passei a consumir MESMO chá quando passei a cultivar minhas plantas e ervas.

Chá “in natura”

Desde que saí da casa da minha mãe (2017) tenho minhas próprias plantas, mas foi só no ano passado que minha casa se transformou numa urban jungle de verdade com as plantas se proliferando por todos os cantos.

Comecei uma pequena horta alguns meses atrás e é dela que tenho colhido algumas ervas para os meus chás, incluindo hortelã, alecrim e menta.

Meu pé de menta (tá meio triste porque o dia tá quente!).

Quando me mudei, descobri que a minha casa já tinha um pé de hibisco, mas ainda não me sinto íntima o suficiente dele para usá-lo nos chás. Alguns dias atrás colhi algumas frutas, tirei as sementes e plantei. As primeiras já começaram a brotar. 🥰

Para encerrar o post, trouxe aqui uma receita de chá relaxante que eu adoro. Usei as folhas e talos naturais, mas também podem ser usadas as ervas desidratadas.

Receita de chá relaxante

Além do poder relaxante, esse chá também ajuda a tratar aquelas terríveis dores de cabeça que aparecem do nada. (Quem diria que na vida adulta eu optaria pelos chás ao invés de remédios?)

Meu chá relaxante feito com plantas de casa.

✨ Ingredientes:

– Um talo pequeno de hortelã;
– Um talo pequeno de alecrim;

1️⃣ Lave bem as folhas enquanto coloca a água para esquentar;
2️⃣ Quando a água estiver começando a ferver, desligue o fogo e despeje sobre as folhas;
3️⃣ Deixe descansar por 5 minutos, coe e aprecie seu chá!

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