Desde que aprendi a ler, a leitura se tornou uma parte muito importante de mim. Meus pais, principalmente minha mãe, sempre me incentivaram e, por isso, eu sempre estava com a cara enfiada em algum livro por aí. Conforme eu fui amadurecendo e tendo mais responsabilidades, meu tempo livre foi diminuindo, afetando também meu ritmo de leitura.
Quando fui trabalhar no marketing de uma editora, ler os livros publicados por ela e estar por dentro dos lançamentos das concorrentes, passou a ser algo obrigatório. Eu reservava uma parte do meu dia, todos os dias, para ler (geralmente no fim do expediente, quando eu já tinha finalizado as minhas tarefas). Por ficar exposta a tantos conteúdos sobre livros e sobre o ato de ler, passei a “monitorar” o que andava lendo e, não sem surpresa, constatei que cerca de 95% das coisas eram sobre terror e crimes (os temas mais publicados na editora). Quando saí de lá, decidi que eu precisava ler outras coisas, ter novas experiências, e que um pouco de “organização” poderia me ajudar nisso:
- Em 2023, comecei a usar o Skoob. Apesar de ter funções como “escrever resenha” e publicar comentários em tempo real, eu só o usava para acompanhar o andamento das minhas leituras e dar uma classificação de uma a cinco estrelas para cada uma delas. Fiz 30 leituras nesse ano, entre livros, quadrinhos, mangás, coletâneas, etc.
- Em 2024, também passei a usar o Notion para fazer esse tracking. Encontrei um modelo gratuito bem completo (esse AQUI!) onde registro minhas reflexões sobre os livros sem precisar compartilhá-las com ninguém. Fiz 38 leituras nesse ano. Também abandonei o Skoob que, a essa altura, tinha sido comprado pela Skeelo e, embora tenha colocado algumas funções legais, ainda peca bastante no quesito organização.

Quando passei a fazer esse acompanhamento, acabei colocando na minha cabeça que eu precisava “bater uma meta de leituras”, aumentando pelo menos um pouquinho a cada ano. Isso me fez ler como uma desesperada no final de 2024 para dar conta das minhas “leituras atrasadas”, mas como eu podia estar “atrasada” numa coisa que era apenas um hobby para mim?
Quando a leitura se transforma em competição
Toda vez que eu abria o Instagram, meu feed era inundado por conteúdos sobre livros, desde resenhas (muitas vezes feitas por IA) aos terríveis Reels feitos por editoras apenas para engajar (do tipo “trabalho numa editora e também preciso esperar o livro sair para descobrir o final” ou “meu dia trabalhando numa editora”). Mas o pior de tudo, para mim, eram os posts “tudo que li no mês” e aí uma pilha de meio metro de altura com uns 20 livros.
Todos lidos em UM MÊS.
Essa forma de ler correndo nos permite realmente aproveitar bem um livro? Volto novamente ao post que alugou um triplex na minha cabeça:
Lá no fundo do meu coração, comecei a me perguntar se eu estava à “altura” desses outros leitores, que liam em um ano o que, pela média das minhas leituras, eu levaria uns 5 ou 6 anos para ler. Será que eu também não deveria correr (como fiz em Dezembro/24)?
Decidi que era hora de pisar no freio. Leitura não é competição.
Estamos em Março e eu ainda estou na minha terceira leitura do ano (Caçando Carneiros – Haruki Murakami). Não me sinto nem um pouco culpada por estar lendo “devagar” (mas me senti culpada nos anos anteriores quando acabava fazendo isso).
Até ano passado, sempre que eu tinha uma folguinha. metia a cara num livro. Esse ano, optei por fazer outras coisas também, como jogar mais videogame (atualmente meu vício é Zelda: Tears of the Kingdom), assistir mais séries (estou no finalzinho de Disque Amiga para Matar e na metade de Trabalho Honesto) e um pouco mais de Youtube (tenho assistido os canais Visual Venture e Chilling Scares por conta do conteúdo de mistério e creepypastas, mas sei que é impossível confiar 100% neles). Mas a decisão mais importante que tomei foi dar unfollow nas editoras e na maior parte dos criadores de conteúdo que eu seguia que falavam sobre livros (resquícios do antigo trabalho).
Isso já diminuiu bastante essa minha neura de precisar correr com as leituras e ter uma “meta” para bater todo ano. Sem contar que, dessa forma, a minha lista de livros que quero ler (TBR) deixou de crescer enlouquecidamente e, agora, já é quase humanamente possível de ser cumprida.
Ler devagar me dá a chance de aproveitar mais o livro, mergulhar ainda mais na história e me colocar no lugar dos personagens, seja procurando as referências do autor, ouvindo as músicas indicadas e, às vezes, ainda assistindo os filmes citados.
Ler com profundidade é melhor do que ler com velocidade.

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