Existe uma paz indescritível em acordar cedo, andar pela casa ainda escura e tomar café vendo o dia amanhecer. Eu me sinto o único ser humano acordado do planeta e consigo fazer tudo sem pressa, com os pensamentos vagando livremente. Muita coisa mudou na minha vida quando passei a levantar antes do sol e hoje eu resolvi escrever sobre elas.
O ciclo circadiano
Eu sou uma pessoa diurna, sempre fui. Funciono muito melhor pelo dia do que à noite (por isso raramente vocês me verão socializando por aí depois das 19h). Talvez o condicionamento feito ao longo do combo escola + universidade e, claro, capitalismo, tenha feito isso com meu corpo, mas a verdade é que sempre gostei de concentrar minhas atividades mais importantes logo pela manhã.
O que acaba gerando uma certa ansiedade na noite anterior, não é?!
Por mais que o home office seja uma delícia e possamos nos gabar de acordar às 8h58 e estarmos prontos para trabalhar às 9h, isso nos faz ter uma sensação que o dia é muito mais curto do que realmente é. Sem dedicarmos um tempinho para nós no início do dia, é muito provável que já estejamos cansados na hora que conseguirmos tirá-lo (se conseguirmos tirar esse tempo, geralmente ele acontece depois do horário comercial). O que torna muito comum estarmos esgotados à noite, e isso tem uma explicação biológica — o nosso cérebro regula as funções do corpo em ciclos de, aproximadamente, 24 horas, o chamado “ciclo circadiano”:
“Ciclo circadiano, ou relógio biológico, é o ritmo natural do corpo, que dura cerca de 24 horas e que regula funções como sono, metabolismo e temperatura. Graças a esse ciclo, o corpo mantém o equilíbrio interno e se adapta ao ambiente naturalmente. Ele também regula hormônios como cortisol e melatonina, que determinam os ciclos de sono e vigília. Os níveis de cortisol aumentam pela manhã para gerar energia e estado de alerta, enquanto os níveis de melatonina aumentam à noite, ajudando o corpo a descansar e se preparar para dormir.”
Mesmo que cada pessoa tenha seu “ritmo interno”, no geral, devemos estar acordados durante o dia, recebendo luz solar e aproveitando as dores e delícias de viver nesse planeta único. Usar celular à noite e ficar se expondo à luz dele pode bagunçar um pouco as coisas (mas isso é assunto para outro post).
Como escrevi ali em cima, eu sou uma pessoa diurna e gosto de acordar naturalmente, sem um despertador para perturbar meu sono, o que significava acordar entre 7h e 8h da manhã, me fazendo ter aquela sensação de que o dia era curto demais para mim e que o capitalismo estava sugando a minha vida. Eu não conseguia tempo nem para os meus hobbies, fazendo com que eu me sentisse apenas uma pequena engrenagem do sistema.
Sensualizando no Capitalismo
O divisor de águas
Cerca de um mês atrás, precisei acordar um pouco antes das 6h por 4 dias seguidos. Isso foi o suficiente pra ajustar meu corpo e me fazer acordar cedo todo dia. Faz mais ou menos um mês que tenho acordado às 5h todos os dias, mesmo nos fins de semana e feriados. E tem sido uma delícia.
Levantando cedo, antes do mundo acordar, eu tenho momentos de silêncio e introspecção que me preparam para encarar mais um dia. Às vezes eu leio um livro, às vezes eu escrevo no meu diário, ou às vezes eu fico só observando o quintal enquanto o céu vai mudando de cor. Como ainda estamos no inverno amazônico, por várias vezes eu peguei meu café e fui tomá-lo no quintal enquanto via a chuva cair. Inclusive eu estava acordada quando Belém virou Silent Hill devido a um enorme nevoeiro que se formou na região.
E, vou admitir, essas manhãs tranquilas têm me feito muito bem. Meu corpo entendeu que ele pode ter um ritmo mais lento, mais tranquilo e não precisa estar o tempo todo borbulhando de cortisol. Essas horinhas que tenho antes de ser engolida pelo capitalismo me permitem viver no meu próprio tempo.
É claro que, em alguns momentos, eu penso que deveria aproveitar esse tempo para coisas “construtivas”, mas o que seria isso? Se tirarmos o capitalismo da equação, o que sobra?
Próximos passos
Aos poucos eu vou descobrindo outras atividades que me agradam e me preparam para o dia. Talvez eu comece a pintar pela manhã, ou quem sabe eu consiga colocar de vez na minha rotina uns alongamentos leves (meu lugar favorito para fazer isso é o quintal, mas como tem chovido muito, o solo fica encharcado). O ideal, pelo menos para mim, é começar o dia devagar e em paz, tomando um cafezinho bem tranquila enquanto ouço os passarinhos voando por aqui.
Esse tempo tem sido ESSENCIAL para manter a minha sanidade em dia porque eu começo o dia BEM e gosto de prorrogar esse sentimento ao máximo. Quando eu sinto que meu humor tá dando uma variada, eu dou uma parada e me refugio nesses sentimentos bons do início do dia (ou tomo um banho gelado, o que dá quase na mesma). Tenho me estressado menos, reclamado menos e conseguido me focar mais no trabalho.
E por aí, como tem sido o início da manhã? Me conte nos comentários!
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