Nós & as Mídias Sociais.

Continuando a saga sobre as Mídias Sociais, dessa vez quero falar de um grande acontecimento que rolou este mês de Junho de 2021 (e vou deixar aqui datado para que um dia, no futuro, alguém encontre esse post e pense que éramos muito doidos nessa época): a queda do mLabs.
Eu terminei o post anterior falando sobre agendamento de post e tudo mais, então vou seguir desse gancho:

“Ganhe tempo na criação e agendamento de posts”.

Como contei anteriormente (recomendo muito a leitura desse post), comecei no mundo do “agendamento de posts” via Hootsuite, uma plataforma que, na época, oferecia um plano gratuito que atendia às necessidades da pequena agência de comunicação que eu trabalhava: era possível agendar posts no Facebook e Twitter, além de poder acompanhar tópicos, hashtags e, pasmem, Foursquare (aliás, AINDA existe?). Mas, conforme as redes sociais iam se atualizando e lançando mais ferramentas (como os Stories, Reels, IGTV), o Hootsuite já não era mais “suficiente”. Foi aí que caí no papo da mLabs.

A mLabs é (AINDA existe!) uma empresa que trabalha com agendamento e mensuração de mídias sociais, uma ferramenta que promete aumentar a produtividade já que, trabalhando para agendar várias contas ao mesmo tempo, tens mais tempo para, bem, TRABALHAR. Mas a mLabs oferecia diversos diferenciais, como o agendamento de Stories, Reels, IGTV, carrossel, marcação de produtos, agendamento de comentários, entre outras coisas. Ah, a empresa também é a principal patrocinadora de eventos de marketing no Brasil, tem diversos parceiros/afiliados e, com certeza, é uma das maiores em volume de clientes no Brasil (o plano mais barato custa cerca de R$10,00).

MAS ESTAVA FAZENDO MUITAS COISAS PROIBIDAS.

Na sexta-feira, 11 de junho, véspera do dia dos namorados, a mLabs emitiu um comunicado pra lá de complicado (e nem tô contando aqui com a DEMORA da empresa em anunciar isso, apesar de ter recebido uma notificação do Facebook NO DIA ANTERIOR):

“A mLabs sofreu penalização do Facebook, que ocultou posts de mais de 332 mil usuários da mLabs, desativando o APP da central de integrações da rede social, bem como todos os perfis comerciais da empresa e os perfis pessoais dos fundadores e colaboradores.”

Como se só “ocultar” o conteúdo não fosse o suficiente, o comunicado continua explicando o que rolou…

“Diante do ocorrido, acionamos nosso time técnico e jurídico para buscar contato com o Facebook e, APÓS A PENALIZAÇÃO, recebemos uma notificação extrajudicial da sede do Facebook, nos EUA, informando que o APP da mLabs estava sendo desativado da central de integrações por estar ‘infringindo os Termos de Uso do Instagram ao coletar indevidamente dados dos usuários, entre eles login’.”

Trocando em miúdos, o Facebook BARROU o acesso do mLabs porque ele estava fazendo coisas proibidas, como coletar dados… Mas como assim “coletar dados“? Lembram que eu falei ali em cima de agendar posts dos Stories? Essa não era a única coisa que o mLabs fazia que a ferramenta OFICIAL do Facebook não fazia: o mLabs também conseguia entregar os cliques nas figurinhas usadas, função que o Facebook nunca lançou, ou seja, estava coletando mais dados do que deveria.

Não é nada OFICIAL, mas nas conversas com outros amigos social media, a história que ouvimos é que a mLabs EMULA um celular para fazer a postagem dos formatos proibidos (Stories, Reels, IGTV, carrossel), ou seja, quando fazemos o agendamento via mLabs, a plataforma “finge” que tem um celular que está disparando aquele post ao vivo.

E o que temos de oficial?

Essas aqui são algumas das regras do Facebook:

Limitations

  • Can only be used to publish to business IG User accounts; Creator IG User accounts are not supported.
  • Accounts are limited to 25 API-published posts within a 24 hour period.
    JPEG is the only image format supported. Extended JPEG formats such as MPO and JPS are not supported.
  • Stories are not supported.
  • Shopping tags are not supported.
  • Branded content tags are not supported.
  • Filters are not supported.
  • Multi-image posts are not supported.
  • If the caption contains a hashtag, it should be HTML URL-encoded as %23 in the request.
  • Publishing to IGTV is not supported.

Fonte: https://developers.facebook.com/docs/instagram-api/guides/content-publishing/

Ou seja, a empresa estava errada… Não é?

Sim, estava, mas não admitiu isso e jogou a culpa no Facebook desde o começo, o que é notório pelo tom dos comunicados publicados. Inclusive, se alguém tiver paciência para olhar as postagens no Facebook, é notória a caça às bruxas.

Rolou uma polarização mLabs X Facebook:

Existem inúmeras coisas que me chamam atenção nesses comentários, mas quero focar aqui em 7:

  • Alguns usuários acham que o Facebook é o “vilão” da história e que essa ocultação de posts é uma busca pelo lucro desenfreado de Zuck (dentre as milhares de coisas que ele faz visando o lucro, eu não citaria o desligamento de uma plataforma que, inclusive, facilitava o impulsionamento de posts);
  • Teve gente que entrou de luto porque a plataforma morreu (mas passa bem?), que seria o equivalente a entrar de luto pelo desligamento real oficial do Fotolog em tempos de Instagram – e ainda usou uma hashtag pavorosa “#mLover“;
  • Um usuário achou que a mLabs, de alguma forma, estava “incomodando” o Facebook e que isso era bom por sabe-se lá qual motivo megalomaníaco e delirante;

E o meu comentário favorito, que é o suco/sumo da ignorância (no sentido de ignorar mesmo os fatos):

  • O social media que acha um absurdo usar a ferramenta oficial e prefere a pirata (o equivalente à GatoNet);
  • E também ACHA que não houve tempo de aviso sendo que a mLabs foi notificada no dia anterior mas só se pronunciou quando a merda bateu no ventilador;
  • NÃO EXISTE inteligência quando a plataforma vai CONTRA AS REGRAS e arrisca tomar um ban permanente e prejudicar TODOS os seus clientes;
  • Os clientes da mLabs são os pequenos e médios empreendedores, aqueles que não tem experiência com um ambiente macro de marketing digital.

Quando olhamos apenas para a ocultação dos posts no Facebook, ainda nos restam pelo menos mais 3 grandes redes sociais: Instagram, Twitter e LinkedIn. (Eu sei que o Instagram faz parte do Facebook, mas tô contando como uma rede social diferente).

E fora essas redes sociais, o marketing digital ainda dispõe de outros canais:

  • Youtube;
  • Telegram;
  • WhatsApp;
  • Sites próprios;
  • Blogs;
  • Newsletters;
  • Canais de Discord;
  • Parceiros/afiliados (que, inclusive, a mLabs tem AOS MONTES);
  • Etc.

Mas não, a ocultação do conteúdo Facebook e posterior cancelamento de acesso ao Instagram QUEBROU A INTERNET e, sobre isso, a Pense Play lançou uma análise da repercussão do caso no Twitter.

Mas por que eu tô falando de tudo isso?

Além de apontar algumas das coisas erradas que a empresa vem fazendo e TENTAR abrir um diálogo sobre o assunto, quero amarrar o post anterior com este fazendo algumas reflexões:

A queda da ferramenta de agendamento fez com que os social media que a usam/usavam gastassem um pouquinho de tempo a mais usando as ferramentas oficiais para distribuir os conteúdos, o que “diminuiu o tempo” para criar conteúdos… Mas isso pode ser benéfico.

O vício no agendamento acaba nos fazendo criar cada vez mais conteúdos, pensar em novas abordagens, formas de encantar o cliente mas, no fim das contas, estamos apenas criando conteúdo para as redes. E elas não podem ser mais importantes que a nossa vida.

Existe uma grande busca pela hiperexposição, hipervalorização e hiperespetacularização de tudo nas redes sociais, tanto das empresas quanto “influencers” e também das “pessoas comuns“. Estamos viciados em redes e precisamos dedicar cada vez mais tempo a elas em busca de… Em busca de… Em busca de quê mesmo?

Já tá passando da hora de pensarmos as redes sociais de forma crítica: estudar, entender, debater. Não dá mais pra ficar produzindo em larga escala, sofrer burnout e ter o trabalho perdido por conta da queda de uma ferramenta, algoritmos ou qualquer outro motivo.

Um comentário em “Nós & as Mídias Sociais.

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