A volta dos likes no Instagram.

Alguns dias atrás fui pega de surpresa pela novidade: após 2 anos escondendo o número de likes no app (na versão web ainda é possível ver todas as informações), o Instagram resolveu que era hora de voltar a mostrar os números.

Ai, ai… Senta que lá vem história.

Em 2019 O MUNDO foi pego de surpresa (e eu junto, claro) com essa mensagem do Instagram:

“Não queremos que as pessoas sintam que estão em uma competição
dentro do Instagram e nossa expectativa é entender se uma
mudança desse tipo poderia ajudar as pessoas a focar
menos nas curtidas e mais em contar suas histórias”.
(Instagram, 2019)

Foi essa a justificativa para esconder o número de likes e pareceu algo bem interessante na época, mas vocês lembram o que rolou? Pessoas passaram a postar prints com o número de curtidas. A justificativa era a de que essa é uma métrica importante para os criadores de conteúdo:

“Pedi para continuarem curtindo e comentando.
Isso ajuda a me motivar mais e também
a mostrar resultados para meus clientes”.

(Marina Ferrari, Alagoas)

Notaram o “isso ajuda a me motivar mais“? O like já era um reforço positivo para o usuário.

Levando em consideração esse comentário e muitos outros que rolaram na época, ficou claro que as pessoas realmente focavam mais nas curtidas e, depois de 2 anos, acabamos acostumando, não foi? Esse número de “corações” saiu da vista de todos e só os donos dos perfis tinham acesso via app (ou qualquer usuário do Instagram via web, vale lembrar).
E, pra falar a verdade, EU gostei mais assim.

Combate ao bullying.

Em 2019 o Instagram mostrava uma preocupação com o usuário, não apenas de acabar com o clima de competição como também evitar bullying (sim, isso pode dar munição para trolls). Na época o Instagram também anunciou outras mudanças: uma forma de “cutucar” o usuário que escreve posts tóxicos e o “away mode” para suspender a conta caso o usuário queira “dar um tempo” da rede (não cheguei a ver NENHUMA delas em ação e nunca mais foram citadas).

E agora, depois de 15 meses de pandemia e com todo mundo meio sequelado, o Instagram resolve voltar a exibir as curtidas. Agora, que estamos cada vez mais dependentes da internet e passando mais tempo do que seria saudável na frente das telas, vamos poder exibir esse número de novo.

Mas assim, basicamente é o Brasil que ainda está vivendo a pandemia, né? Os Estados Unidos, por exemplo, estão vacinando tanto que muitos americanos da minha idade já estão totalmente imunizados (tomaram as duas doses).
Então tá liberado voltar com uma ferramenta que traz sofrimento para os usuários, certo?

Aliás, eu pensei que fosse demorar a ter a opção de voltar a exibir os likes, mas na semana passada apareceu essa notificação no meu Instagram sobre jardinagem.

Eu, particularmente, optei por continuar escondendo, mas noto que mudou a forma de exibir o número de curtidas para mim: ao invés de aparecer “@Fulano e outras pessoas curtiram”, está aparecendo “@Fulano e X pessoas curtiram”.

Já senti um leve impacto aí. Parece que o Instagram está esfregando na minha cara a minha “popularidade” (no caso, a FALTA dela).

Somos pessoas ou apenas números?

Em 2016 já se falava do vício em likes e como isso estava afetando as pessoas. Vale lembrar que nunca, em toda a história da humanidade, tivemos uma ferramenta que se adaptava tão facilmente ao usuário para causar dependência. Os likes fazem nosso cérebro ter uma descarga de dopamina, um neurotransmissor ligado à felicidade e prazer.

E por isso queremos cada vez mais.

1 like pode ser legal, mas 2 likes são ainda melhores. 3 likes já começam a nos deixar felizes, mas 4 trazem ainda mais dopamina. 20, 50, 100, 1000 likes… Cada um desses likes nos deixa mais felizes… Mas não lembramos que tem uma pessoa ali atrás, não é? Ao vermos “X likes”, são apenas números, apenas uma contagem, apenas uma régua da nossa popularidade e sucesso internético.

E é assim que as redes sociais nos veem.

Em tempo…

Existem alguns movimentos na internet para conscientizar sobre o uso das redes sociais, fazer críticas e até mesmo deletá-las de vez.

Se for muito, muito difícil de sair de vez delas, uma opção é monitorar e limitar os usos. Eu não posso sair de vez porque trabalho com marketing digital (e tenho o PudimCast® , lembram?), mas consegui diminuir bastante o uso, inclusive EVITANDO usar aos fins de semana. Não foi nada radical, mas tá dando resultados muito bons.

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