21 anos de internet, o que aprendi?

Por praticamente 2/3 da minha vida estive conectada na internet e já devo ter passado por todas as fases possíveis nesse “relacionamento”: a empolgação da descoberta, o amor, o ódio, a indiferença, o vício, a vontade de sumir pra nunca mais voltar. E eu tenho certeza que cada uma dessas fases aconteceu mais de uma vez. Mas o que ficou de bom? Bem, deixa eu pensar aqui.

Os maravilhosos anos 2000

Como uma criança que sobreviveu ao “bug do milênio”, que diziam que iria afetar todos os computadores do mundo na virada de 31/12/1999 para 01/01/2000, posso dizer que esse foi realmente um momento decisivo na tecnologia brasileira. Para começo de conversa, os computadores pessoais já tinham começado a ficar acessíveis e parecíamos caminhar com passos largos para um futuro brilhante.

A internet apareceu na minha vida lá por volta de 2001, quando o IG e Ibest ofereciam internet discada gratuita, a única taxa que era paga era a conta de telefone (por isso muitas vezes eu só usava a internet nos domingos e feriados, quando era cobrado apenas o “pulso único”). Era todo um mundo novo cheio de maravilhas a serem descobertas. Quer dizer, mais ou menos.

Quando tudo era mato, tínhamos “poucos sites” para acessar: apenas portais de notícias e entretenimento. Ah, também existia o Bate-Papo Uol, que se tornou bastante famoso na época, e começavam a se popularizar os “mensageiros eletrônicos” como ICQ, mIRC e, claro, MSN. Os emails também já estavam entrando nas nossas vidas e, no começo, era uma alegria inexplicável receber um email, principalmente dos amigos.

Por volta da mesma época, começavam a surgir os blogs, mas só tinha um quem entendia de HTML e outras linguagens de programação. Tudo ainda era muito feio, quadrado e de cores sólidas, mas foi nosso ponto de partida para começar a dominar a internet. Se antes só recebíamos o conteúdo dela, passamos também a produzir.

Eu ingressei no mundo dos blogs em 2003, primeiramente pelo LiveJournal (quem mais usou??) e, depois, pelo Weblogger, com um layout desenhado por uma amiga que tinha um banner de Emily, The Strange. Eu já era emo antes mesmo dos emos existirem.

(Não era esse banner, mas era bem parecido.)

Com pouco mais de 2 anos de uso de internet, eu passei a publicar conteúdo nela também, que revolução! Obviamente no começo eu só falava da minha vida, coisas do colégio, o que eu andava ouvindo na época, quem eram os meus melhores amigos, etc. Pelos anos seguintes, entre idas e vindas, meus blogs continuaram seguindo esse formato. Até que, em 2012, comecei a escrever para um site de cultura nerd. Mas aqui estou atropelando um pouco a história, vamos dar um passo para trás.

O surgimento das redes sociais

Muito se fala sobre o Orkut ser a 1ª rede social que se popularizou no mundo (principalmente no Brasil), mas antes dele, eu me aventurei um pouco pelo VampireFreaks e MySpace, ainda sem saber direito como funcionavam (e sem lançar nenhuma música no MySpace, hahaha), mas me parecia que, dessas formas, eu poderia começar a me conectar com outras pessoas.

O VampireFreaks era uma espécie de fórum voltado para a comunidade gótica, mas depois virou uma loja online (como basicamente tudo que surge na internet). Procurando sobre ele para esse post, descobri alguns casos de usuários que se envolveram em crimes, eita. (O fórum foi fechado em 2020, como noticiou o Kerrang!)

Mas em 2003, quando eu dava meus primeiros passos no mundo dos blogs, também dava meus passos pelo Orkut. Em pouco tempo, praticamente todo mundo que eu conhecia também estava lá, participando de comunidades, mandando scraps ou deixando depoimentos que começavam com “NÃO ACEITE”. Bons tempos, né?

A rede reinou soberana no país por cerca de 5 anos e ainda causa nostalgia em muitos. O expressivo número de usuários brasileiros (30 milhões em seu auge), fez com que o controle da rede passasse a ser operado do Brasil.

Mas em 2011, o crescimento do Facebook (que vinha ganhando força há pelo menos 3 anos) fez com o Orkut perdesse seu status de mais acessado, levando-o ao seu fechamento pouco tempo depois — apesar de todo o esforço que foi feito para reformulá-lo.

Em Setembro de 2014 o Orkut foi desativado e, magicamente, reativado em Abril de 2022 com uma mensagem do seu criador que pode ser lida na íntegra aqui. Mas o que mais chama atenção na mensagem, é o final dela:

Eu sou uma pessoa otimista. Acredito no poder da conexão para mudar o mundo. Acredito que o mundo é um lugar melhor quando nos conhecemos um pouco mais. É por isso que criei a primeira rede social do mundo quando era estudante de pós-graduação em Stanford. É por isso que eu trouxe o orkut.com para tantos de vocês ao redor do mundo. E é por isso que estou construindo algo novo. Vejo você em breve!

Isso levou muita gente a acreditar que o Orkut irá voltar, mas será? Vale lembrar que o próprio criador do Orkut lançou uma rede social que nunca decolou, a Hello.

Atualmente a rede exibe a seguinte informação em sua página inicial:

“Estamos pausando as operações do hello enquanto preparamos algo ainda melhor. Somos extremamente gratos pela sua trajetória com o hello e por ser parte desta comunidade, e gostaríamos de te agradecer por ter feito o hello um lugar especial. Obrigado pela sua autenticidade.”

Voltando ao Facebook, que agora era o queridinho dos brasileiros e do mundo, a rede trazia inúmeras funções que desejaríamos ter visto no Orkut, como bate-papo, páginas e, agora, um feed que mesclava notícias e atualizações de amigos (tudo isso antes de ser invadida pela enxurrada de anúncios que agora poluem nossa timeline).

Do Facebook, as coisas escalaram rapidamente e logo estávamos usando o “microblogging” do Twitter, postando selfies no Instagram e Snapchat e, mais recentemente, fazendo vídeos curtos para o TikTok. Vale lembrar que, no meio de tudo isso, falamos por duas semanas seguidas sobre o Clubhouse, mas ele não conseguiu se sustentar depois.

E de tudo isso, o que ficou?

De todo esse tempo na internet, tirei diversas lições, mas destaco as 3 mais importantes:

1. Online e offline são diferentes

Vivi o início de toda essa loucura que a internet se tornou e, por mais que algumas pessoas gostem de alardear que “não existe mais diferença entre online e offline”, bem, existe sim. Pra começo de conversa, a pequena fatia de coisa que postamos online está longe de representar a totalidade da nossa vida. Convenhamos, ninguém é 24 horas por dia igual às selfies que posta ou feliz do jeito que se retrata na internet, assim como a minha vida não é só ler livros, embora eu escreva mensalmente aqui sobre o que ando lendo. 😅

Podemos ser quem quisermos na internet, mas em casa, com a cabeça no travesseiro e as luzes apagadas, não tem como fugir de quem somos de verdade.

2. Nem tudo é verdade na internet

Parece bobo escrever sobre isso, mas numa época em que se defende o direito de compartilhar fake news travestidas como “liberdade de expressão”, eu vou ser boba e falar que não dá pra acreditar em tudo que se lê na internet! E isso vale tanto para a realidade que pintamos nas redes sociais como as notícias que lemos em portais de internet, por mais que ele possam ser considerados “respeitados”.

E, claro, isso também vale para o que é escrito em portais independentes e blogs (como esse aqui). Sempre existe uma pessoa por trás daquele texto e acreditar em tudo que tá na tela é loucura.

3. Números não são tudo na vida

Redes sociais nos deixaram viciados em números, não é? Número de likes, comentários, compartilhamentos, etc, tudo pode ser reduzido a números. Mas números não são nada sem uma comunidade que nos acompanhe e que realmente façam valer a pena o que é postado.

Já faz um tempo que venho regulando o meu uso de redes sociais e o meu consequente número de posts e, para falar a verdade, estou muito bem assim. Com os meus frequentes sumiços das redes, meus números, obviamente, caíram — mas agora sei que atinjo as pessoas certas e tenho essa pequena comunidade em torno de mim que me apoia.

Uma comunidade, ainda que pequena, vale muito mais que gigantescos números vazios (e aqui também entra o caso dos fakes, seguidores comprados, etc, que só servem para realmente inflar os números que vemos nas redes).

Nesses 21 anos de internet, muita coisa aconteceu. Eu mudei, o mundo mudou, a internet mudou, tudo mudou. Continuamos avançando a passos largos para um futuro desconhecido e cada vez mais tecnológico que, esperamos, seja mais brilhante que o nosso presente.

💻

Mais informações

Que tal dar uma lida nos outros conteúdos que eu já produzi?! Tenho trabalhado neles há um tempo e espero que inspirem outras pessoas. 😊
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