Eu sinto falta da vida?

Já são 2 anos e 3 meses de uma pandemia que parece não ter fim e, por mais que muitas medidas já tenham sido relaxadas, parecemos estar sempre na iminência de uma nova onda, uma nova fase de um período sombrio da história… Ou será que estou exagerando? Bem, são muitas questões para resolver.

Em Março de 2020 a vida parou. Já são 820 dias desde que a pandemia me atingiu e trouxe um isolamento social do qual não consigo mais sair. Os dias foram, lentamente, sugando minhas energias até chegar em alguns pontos em que eu parecia apenas estar repetindo as mesmas tarefas dia após dia. Durante esse período, por cerca de 6 meses trabalhei fora de casa, mas o resto do tempo foi em home office. Quando não aguentei olhar mais para as mesmas paredes, saí do apartamento e mudei para uma casa. Essa mudança me trouxe um pouco mais de paz e espaço (além de novas plantas).💚

Já tive períodos de estar bem, feliz e expansiva, mas a vida parece ser apenas uma grande alternância entre esses picos de expansão e retração com longos períodos de um humor e disposição apenas medianos. Minhas habilidades sociais também estão vivendo essa gangorra e cheguei ao extremo de praticamente só conversar com os colegas do trabalho.

Nunca mais encontrei meus amigos pessoalmente e, confesso, pouco tenho conversado com a maioria deles. Parece que nunca há uma novidade, alguma coisa legal para falar. Não me entendam mal, não estou deprimida e nem algo do gênero, só estou, sei lá, cansada.

As raras vezes em que saio de casa são, basicamente, só para resolver algum problema na rua ou visitar minha mãe e avós. Ao voltar de uma dessas visitas (geralmente pela parte da noite), olho a cidade e sinto uma brusca melancolia, como se nada daquilo me pertencesse mais ou como se eu não pertencesse mais àquilo. Não que eu fosse uma pessoa “da noite”, mas em anos a.C. (antes da Covid), eu gostava muito de andar pela cidade entre o fim da tarde e o começo da noite, quando tudo parece meio mágico.

Numa das minhas últimas saídas, consegui ver a cidade nesse horário que tanto gosto.

Belém vista do 10º andar | @CintiaPudim

E na volta para casa, já com a lua lá no alto, me peguei de novo com essa sensação melancólica. Talvez eu tenha me acostumado demais à solidão e simplesmente não consiga mais socializar. Não é também como se eu estivesse totalmente sozinha, né? Moro com meu marido e nossos 2 gatos, mas será que só isso de companhia é o suficiente?

Mês passado eu havia decidido voltar para a academia, depois de mais de 2 anos afastada. Como me mudei, precisei procurar um novo lugar, mas confesso que está difícil de equilibrar lugar bacana X preço bacana. Encontrei um lugar “ok” mas, no mesmo dia em que me decidi por ir malhar lá, ganhou força na mídia a decisão de algumas cidades em voltar a recomendar o uso de máscaras (com pelo menos uma grande capital já tendo decretado a volta obrigatória das máscaras em ambientes fechados). Encarei como um sinal de “ainda não é a hora”.

Mas, parando pra pensar, será que não estou exagerando? Me parece que muita coisa voltou ao normal, menos eu. O medo de pegar covid, claro, existe (apesar de estar triplamente vacinada), mas o medo de descobrir que não me encaixo mais na sociedade é ainda maior.

Tem vezes que me sinto essa máquina de lavar sendo rebocada por um guincho: estranha, descolada da realidade e só vendo a vida passar.

Uma máquina de lavar sendo guinchada | @CintiaPudim

Meu desafio para o próximo semestre será voltar a ter uma vida. Espero que dê tudo certo.

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